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Dra. Giovana Sebben

NEUROLOGISTA PEDIÁTRICO
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Sonambulismo

     O sonambulismo  é um dos distúrbios do sono mais encontrados na infância.  É classificado como um transtorno chamado “parassonia”, que são alterações que invadem e comprometem o processo de dormir. Outros exemplos de parassonias são os pesadelos, o bruxismo (ranger de dentes), o terror noturno, o sonilóqio (fala durante o sono), entre outros. Se inicia durante uma reação de superficialização do sono NREM, mas pode ser visto uma a três horas após o início do sono noturno.

     Geralmente, o  início do sonambulismo ocorre antes dos 15 anos de idade, e mais da metade dos casos na infância precoce. Os episódios diminuem em freqüência e intensidade durante a adolescência, mas alguns persistem até a idade adulta. Há uma tendência familiar, e a maioria dos casos tem dois ou três membros afetados  na família.

     Os episódios iniciam nas  primeiras horas do sono, e podem durar de segundos a minutos. Durante os episódios, o indivíduo tem pouca ou nenhuma reação ao ser chamado, mas faz inspeção visual do ambiente e, por isso, desvia de obstáculos. Pode comportar-se como se estivesse acordado, realizando tarefas como alimentar-se, abrir portas, descer escadas e,  por isso, os pais devem ter o cuidado de proteger a criança da exposição a meio ambiente perigoso: trancar portas, fechar janelas, tirar do alcance objetos em que possam ferir-se, não permitir que durmam na parte superior de beliches.

     O diagnóstico é clínico, baseado na observação do evento ou relatos do observador. No entanto, é importante o diagnóstico diferencial com epilepsia do lobo frontal, que pode ser responsável pelos fenômenos motores durante o sono. Se necessário exame complementar, o mais completo exame para dignóstico dos transtornos do sono é a polissonografia,, que mostra o sonambulismo ocorrendo durante o sono NREM, durante os estágios 3 e 4..

       Por ser um distúrbio autolimitado e benigno, geralmente terapia medicamentosa não é indicada, exceto nos casos extremos. Terapia não é indicada para crianças, embora possa ser considerada importante nos adultos em que o sonambulismo surgiu após os 20 anos de idade, por estar relacionado a tensão emocional.



Giovana Sebben

Neuropediatra

CREMERS 21.952

EPILEPSIAS

     O QUE É EPILEPSIA?
     Epilepsia é uma disfunção neurológica que interrompe, temporariamente, as funções do cérebro. É diagnosticada após o indivíduo ter duas ou mais crises epilépticas não provocadas por fatores exógenos.
 
 
     O QUE É UMA CRISE EPILÉPTICA?
     É  uma descarga elétrica anormal generalizada ou de um determinado grupo neuronal. Os sintomas dependem da localização da descarga, e podem ser convulsivos ou não. 
 
 
     TODAS AS PESSOAS QUE SOFREM CRISES EPILÉPTICAS TÊM O DIAGNÓSTICO DE EPILEPSIA?
     Não. As crises podem ser provocadas por fatores exógenos, como febre, infecções, trauma, distúrbios eletrolíticos, erros inatos do metabolismo, intoxicações. São mais comuns nas crianças devido à imaturidade de seu sistema nervoso.
 
     QUAIS SÃO OS TIPOS DE CRISES EPILÉPTICAS?
     As crises epilépticas podem ser generalizadas, se a disfunção ocorrer nos dois hemisférios cerebrais, e focal se a descarga ocorrer em apenas um grupo neuronal. Os sintomas dependem do local onde ocorre a descarga, já que cada área do cérebro é responsável por uma função.  Quando há manifestações motoras, é denominada "convulsão"
 
     CLASSIFICAÇÃO DAS CRISES EPILÉPTICAS
     Versão resumida da classificação das crises:

1. Crises Parciais (ou focais)

Crises parciais simples (CPS)

• com sinais motores 
• com sinais sensitivos somatossensoriais ou especiais 
• com sinais ou sintomas autonômicos 
• com sintomas psíquicos. 

Crises parciais complexas (CPC)

• início de crise parcial simples seguida por alteração da consciência 
• alteração de consciência no início 

Crises secundariamente generalizadas 

• CPS evoluindo para crises tônico-clônicas generalizadas (CTCG) 
• CPC evoluindo para CTCG 
• CPS evoluindo para CPC e então para CTCG. 

2. Crises Generalizadas (desde o início)
 

CTCG Crises de ausência 
Crises de ausência atípica 
Crises mioclônicas 
Crises tônicas 
Crises clônicas 
Crises atônicas. 

3. Crises não classificáveis (informações incompletas ou inadequadas)
 
     Referências Bibliográficas:
1. RIESGO, R.S., L. ; FREIRE, C. . Convulsões. In: Newra Tellechea Rotta; Lygia Ohlweiler; Rudimar Riesgo. (Org.). Rotinas em Neuropediatria. Porto Alegre: Artmed, 2005, v. , p. 61-76.
2. Site da Liga Brasileira de Epilepsia: http://www.epilepsia.org.br/epi2002/index.asp

 


Cefaléias

 

         Cefaléia ou, simplesmente, “Dor de Cabeça”.

  • O que é cefaléia?

     O termo cefaléia, originado do grego kejalh (kefalé=cabeça),  refere-se a todo processo doloroso que ocorre no segmento cefálico . Em resumo: “dor-de-cabeça”.

 

 

  • As crianças podem apresentar cefaléia?

     Sim, é  causa freqüente de stress para o paciente e familiares, provocando grande prejuízo escolar. Até a adolescência, é ligeiramente mais prevalente nos meninos, e aumenta nas meninas após a adolescência.

     Existem vários tipos de cefaléia, mas as mais comuns são a Cefaléia Tensional e a Migrânea (enxaqueca).

 

 

  • Meu filho sofre de cefaléia. Como devo proceder ?

     O primeiro passo é a identificação do tipo de dor e se ela aponta para alguma causa grave. Com a história clínica e o exame neurológico é possível obter essas informações ainda na primeira consulta. Faça um Diário da Dor, onde se deve anotar todas as características da cefaléia, com a data e hora dos sintomas. No menu “Ferramentas”, é possível visualizar e imprimir um modelo com todos os dados a observar. Leve este diário à consulta com o neuropediatra, pois será de grande ajuda.

 

 

 

  • A cefaléia de meu filho ocorre geralmente após as refeições. Há relação com a alimentação?

     Sim. Existem vários desencadeantes de cefaléia, alimentares e não alimentares. Dentre os principais desencadeantes alimentares estão: cafeína, álcool, bebidas com corantes, glutamato monossódico, conservantes, aspartame, vinagre, chocolate, queijos gordurosos.Outros desencadeantes freqüentes são stress, exercícios, luz, alterações do sono, e com menor freqüência odores, alimentos gelados, exposição solar.

 

 

  • Existe tratamento?

     Sim, e são prescritos de acordo com o diagnóstico. Nos casos de enxaqueca, por exemplo, o tratamento consiste em evitar os desencadeantes,  tratamento com medicamentos para a crise aguda e, se necessário, medicamentos profiláticos.

 

Fonte:   OHLWEILER, L. ; SEBBEN, G. . Cefaléias. In: Newra Tellechea Rotta; Lygia Ohlweiler; Rudimar Riesgo. (Org.). Rotinas em Neuropediatria. Porto Alegre: Artmed, 2005, v. , p. 87-103.

 

 

 

 

 

Falando sobre Dificuldades de aprendizagem

 

Citação

Dificuldades de aprendizagem

     É um grupo de problemas capazes de alterar as possibilidades de a criança aprender, independentemente de suas condições neurológicas.

     Independentemente dos fatores envolvidos, a aprendizagem se passa no Sistema Nervoso Central, porém, nem sempre ele é o responsável pelo fracasso escolar.

 

      Os fatores envolvidos nas dificuldades para a aprendizagem são:

      Fatores relacionados com a escola: é importante que a escola ofereça ambiente adequado, com  quantidade aceitável de alunos em cada turma; condições pedagógicas, com material didático e método pedagógico de acordo com a realidade da criança;  condições do corpo docente, no que se refere à motivação, dedicação, qualificação, remuneração adequada, entre outros.

      Fatores relacionados com a família: é fundamental que exista uma estrutura familiar adequada para que o aprendizado ocorra de forma adequada.

      Fatores relacionados com a criança: podem existir problemas físicos, como dificuldades visuais; transtornos psiquiátricos e psicológicos, como timidez e depressão;  patologias neurológicas, como  o TDHA (Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção), epilepsia e deficiência mental.

      É importante que a criança com dificuldades de aprendizagem seja avaliada por Neurologista Pediátrico experiente que, por meio de instrumentos diagnósticos adequados, pode identificar corretamente os problemas da criança e indicar o tratamento específico.

 

 

 

     Fonte: ROTTA, N.T., Dificuldades para a aprendizagem. In:  ROTTA, N.T.; OHLWEILER, L.; RIESGO, R.S. Transtornos da Aprendizagem, Porto Alegre, Artmed, 2006,  p. 113-121.

 

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

     O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome neurocomportamental com sintomas classificados em três categorias: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Caracteriza-se por um nível inadequado de atenção em relação ao esperado para a idade, o que leva a distúrbios motores, perceptivos, cognitivos e comportamentais.

     Existem três subtipos de combinações de TDAH: com predomínio de hiperatividade, com predomínio de desatenção, e uma combinação de ambos.

 

     Em geral, as crianças hiperativas correm e escalam em demasia, falam demais, estão sempre “a todo vapor”, não permanecem sentados por longos períodos, agitam mãos e pés quando sentados, e sofrem queixas freqüentes da escola devido este comportamento. Podem ser excluídos de atividades sociais e/ou a família os evita, tal é o constrangimento provocado.  Freqüentemente têm impulsividade associada.

     A criança desatenta erra freqüentemente por não prestar atenção a detalhes, distrai-se com pequenos estímulos, não conclui tarefas, tem dificuldades na organização de tarefas que exijam esforço mental sustentado, perde objetos com freqüência.

     No TDAH, os sintomas devem ocorrer em diferentes ambientes. Se ocorrer em apenas um local ou com apenas uma pessoa, deve-se considerar outros diagnósticos.

    

     Para o diagnóstico correto, é fundamental avaliação neurológica completa com Neurologista Pediátrico experiente. Além do exame neurológico completo, são realizados testes neurológicos que avaliam a criança de acordo com sua idade (Exame Neurológico Evolutivo). É de fundamental importância o diagnóstico diferencial com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, pois o tratamento, nesse caso, é diferente. Também é importante a detecção de comorbidades psiquiátricas e de outras causas de dificuldades de aprendizagem, comuns nessas crianças.

 

 

     Fonte: ROTTA, N.T., Transtorno da atenção: aspectos clínicos. In: ROTTA, N.T.; OHLWEILER, L.; RIESGO, R..S. Transtornos da Aprendizagem, Porto Alegre, Artmed, 2006,  p. 301-313. 

 
Médica Especialista em Neuropediatria pelo HCPA - UFRGS
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